É quase impossível apreciar um pôr-do-sol sem sonhar, Michel Quoist.

Fomos parte um do outro. Fizemos por isso, mas agora, de tudo aquilo que fazia de nós um só, só restam cinzas espalhadas pelos ventos tempestuosos que se instalaram em nosso redor. Tento, com todas as minhas forças, não chorar, mas tornou-se uma necessidade tão sufocante que por mais que tente, é impossível cessar. Preciso de me agarrar aos raios de sol que surgiram depois da tempestade. Queria que tentássemos agarrar os dois, ao mesmo tempo, e que as nossas mãos se tocassem sem intenção, como da primeira vez em que nos conhecemos. Esses olhos acinzentados e grandes, fizeram-me corar. Pude ver o meu rosto envergonhado neles. Soube nesse instante que fazias parte de mim, e eu de ti. Agora, já nada tem um significado claro e navego perdida em lágrimas. Onde estão esses teus olhos, para me poder encontrar?

Já há muito tempo que o dia partira e dera lugar a uma bela noite de Verão. Apenas uma leve e quente brisa pairava no ar. Não se ouviam ruídos, apenas as nossas respirações. Lembro-me de estarmos deitados no pequeno terraço abandonado, a olhar o céu, coberto por uma manta estrelada, que fascinava uma qualquer pessoa que admirasse o que víamos naquele momento. A tua mão, lentamente, aproximou-se da minha e, ao primeiro toque estremeci. Não demorou muito até enlaçarmos completamente as nossas mãos. As estrelas continuavam a ser o alcance dos meus olhos, mas sem prever, um olhar misterioso atravessou aquela tela de escuridão. Não foi possível dizer nada, não houve tempo, não foi preciso. A paixão falou por si.

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