Eu não estive lá, mas foi como se tivesse vivido aquele momento. Senti os risos de escárnio, a aproximação, o beijo e a doença. A beleza, a generosidade, o amor, passaram mesmo à frente dos meus olhos. Por momentos, voltei a ter fé em Deus e alcancei a vontade de ler a Bíblia. 

O fim foi difícil de aceitar. E parecia não querer chegar. Havia sempre algo que me impedia. De alguma maneira, algo me distraía, e tinha de voltar ao início. 

Por fim, ganhei coragem. Uma pequena lágrima soltou-se. Fechei o livro.

quem ama de verdade, apenas olha com o coração.

Está frio. Vem deitar-te, meu amor. Faz-me colinho e aquece-me os pés.

quem sabe se nós não fomos feitos um para o outro?

Quando estiver prestes a virar-te as costas, não deixes que o faça. Sabes bem que me vou arrepender. Vou deixar para trás alguém que amo, e que me faz sorrir de forma espontânea e constante. Sabes que me vou arrepender. Vou sentir-me sufocada com a distância e vazia de saudade. Sabes que me vou arrepender. E sabes porque te amo e tu também me amas.

Ninguém melhor do que eles sabe o sentimento que lhes percorre o corpo quando numa simples troca de olhares as suas almas se tocam. Mas eles não admitem. Talvez não se sintam demasiado seguros daquilo que sentem quando as suas mãos se unem por mera brincadeira. Deixam que o amor os envolva mas fingem não saber...

Enquanto a vida dá voltas e mais voltas, eu vou seguindo o meu caminho levemente, ao sabor do vento, até onde este me levar. Vou deixando para trás quem não me consegue acompanhar, quem não acompanha os meus pensamentos mais longínquos. A certa altura irei sentir-me só, irei olhar para trás e questionar-me sobre tudo o que ficou onde antes pertenci. Vou aperceber-me que tomei a decisão mais correcta, ou talvez nem tanto. Não irei arrepender-me de nada, porém. Até ao dia em que recordarei tudo o que não vivemos, por te ter deixado para trás, como alguém egoísta que pensei não ser. Independentemente de tudo, esteja onde estiver, sentirei a tua falta. Sempre. E está prometido agora, que voltarei para te amar de novo.

Pela primeira vez, senti-te distante de mim. Invadiu-me um vazio por não estares por perto para me fazer sorrir. Nem deves ter a noção da falta que me fizeste, simplesmente por não fazermos juntos as brincadeirinhas do costume e darmos as gargalhadas estridentes a que já estamos habituados. Nem uma conversa decente nós tivemos. 
Hoje mais do que nunca, a certeza de não conseguir ser sem ti, ganhou ainda mais sentido.

Cem desabafos. Uma história incompleta.

Aquilo que nos uniu e aquilo que ainda nos une não é muito diferente. Já se passou muito tempo desde a última frase desta nossa pequena e intensa história. O que me faz sorrir quando te vejo novamente é o relembrar daquela nossa conversa, olhos nos olhos, que deixou bem claras as reticências no final da frase.

Hoje sinto-me como não me sentia já há muito tempo. Só me apetece ficar só. Sem que ninguém interfira com os meus pensamentos, com os meus sentimentos. Hoje quero chorar. Como dantes fazia, para me sentir mais aliviada. Sinto-me perdida. Pressionada pelo mundo. Hoje, quero que o amanhã seja diferente.

Os dias passam demasiadamente rápido. E nós deixamos que o tempo passe por entre as nossas mãos sem nos apercebermos. Quando damos por nós, olhamos para trás e percebemos que maior parte dos sonhos que sonhámos se foram perdendo. Eu não quero olhar para trás e ver o mesmo.

Uma vez mais provaste aquilo que vales. Nada. Não importam as palavras, não importam os momentos, não importas mais. Não agora. Talvez um dia quando decidires mudar. Quando olhares para trás e compreenderes o amor que deixaste passar ao lado.

Ainda choro. Principalmente nas noites em que me sinto mais sozinha. Fico sentada na cama, tentando abraçar-me a mim mesma para não sentir o frio que me envolve, e espero. Espero desesperadamente que o telefone toque para ouvir e sentir dizer-te que ainda não te esqueceste de mim. Que ainda faço parte da tua vida. Que sou a tua vida.
Mas depois passa. E acabo por adormecer envolvida nas lágrimas que a minha alma ferida expulsou.

Senti-me usada e o meu coração foi quebrado em mil pedaços. Ainda não acredito que superei toda a dor que me consumiu durante dias sem fim, que me atacava a alma e a fazia chorar de verdade.
Acreditei que podíamos ficar juntos para sempre, como nos contos de fadas. Acreditei que me amaste como eu te amei a ti. Todas as palavras, todos os carinhos, todos os beijos não passaram de uma mentira que foi iludindo o meu coração até me dar conta de quem tu eras realmente. Disfarçaste a cobardia dizendo que eu merecia alguém melhor que tu ao meu lado e hoje não poderia concordar mais com tais palavras.
O teu coração estava falsamente confuso. Dei-te o espaço que falsamente precisavas. Vi-te escapar por entre as minhas mãos e apenas a tua ausência deixaste nos meus braços.
Aos poucos fui-me recompondo e quando as lágrimas estavam prestes a secar, voltaste. Mas não sozinho. Vinhas de mão dada com outra.
Jurei a mim mesma que iria levantar a cabeça e que nunca mais me irias voltar a ver chorar por ti. Jurei que iria esquecer o teu nome e tudo aquilo que me fez amar-te, até porque isso não existia mais.
Consegui. Hoje não me arrependo de te ter perdido.

Quarta-feira, 7 de Julho de 2010

O amanhã pode não existir mais se o coração desistir de lutar. O meu desistiu há muito tempo atrás. E hoje a espera é angustiante. Não saber o amanhã consome-me a alma, o meu ser. Cada vez mais um silêncio vazio se ouve dentro de mim. As batidas do coração já são escassas. E sinto que se perdem com o tempo. Tu apunhalaste o meu coração e ele agora está ferido.

"Sabes o que tudo isto deixou claro para mim? Não temos ideia de como será a nossa vida daqui a 5 anos, ou no próximo ano, na próxima semana. Tudo se transforma em pouco tempo. E as coisas que realmente importam… Tu não vais querer olhar para trás e perceber que as perdeste… Enquanto esperavas. Tu sabes o quanto eu te amo."

Charlie Epps

Os lençóis foram outrora paixão. Agora a janela do quarto está fechada e trancada e só o pequeno candeeiro dá luz, já fraca e a esmorecer. As paredes são agora pintadas de um frio claro, a parecer branco.
Estou descalça no quarto, no meio de quatro paredes, em frente à cama que testemunhara o amor que morreu.
Estou descalça e vazia. Não, vazia não. Aliás, toda eu sou saudade.

Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

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